Sunday, February 12, 2012

Apelo científico subversivo...

A falta de criatividade na maioria dos nossos estudantes universitários é preocupante. A maioria dos nossos professores universitários não ajudam. Muito pelo contrário. Castra-os. Talvez por estarem eles próprios castrados. Who nows… a ideologia positivista-funcionalista-normativa é preocupante neste país. Está por todo o lado. Há que saber utilizá-la e não fazer dela a religião social tal e qual Comte profetizou dois séculos atrás. Ouvir alguns intelectuais, investigadores, curiosos, docentes universitários, políticos e demais mentes brilhantes deste país a beira-mar a secar a dissertar sobre qualquer assunto, problemática ou coisíssima nenhuma, nas salas de aula, encontros supostamente científicas, comunicação social e demais lugares afins é um martírio. Acho piada àqueles que se auto-enganam e se auto-intitulam seguidores de uma corrente ou perspectiva científica qualquer, quando na verdade estão a reproduzir a ideologia dominante aos ouvintes. Shame on you… e, obviamente, os discentes universitários, reféns da inexistência de bibliotecas, livrarias voltada para a ciência e outros lugares de reprodução de conhecimento nas ilhas, tendo apenas estes senhores como referência, ficam castrados.

Na minha imensa ignorância, que me é característico pelos vómitos aqui deixados, penso que o caminho seria marcar uma reunião científica – uma espécie de fórum científico –, onde se iria discutir publicamente os métodos, as técnicas e as teorias seguidas no arquipélago, numa tentativa de se chegar a uma síntese que melhor se adequa à especificidade cabo-verdiana, evitando desta feita, choques de modelos ou paradigmas e etnocentrismos. Os nossos estudantes universitários ganhariam intelectual e cientificamente e, então, poderíamos começar a abrir a boca, que nem o Neves, a mulher desaparecida do Ensino Superior e da Ciência e a mente obtusa que dá a cara no Ministério da Educação, e falar de ensino superior (da educação) de qualidade (pelo menos atingindo os mínimos da qualidade exigida). Mas, antes, reestruturem a maioria dos cursos que pululam pelas Universidades e pelos Institutos Superiores, por se encontraram obsoletas e desadequadas à realidade nacional.

Rap zone

O rap tem sido utilizado pelos nossos jovens urbanos como um novo espaço público de reivindicação social e político e de redefinição identitária. É um facto. Obviamente é um fenómeno sociológico e como tal me interessa. Contudo, esta realidade é universal. Azagaia (ver entrevista aqui) é um rapper moçambicano consciente dessa nova forma de luta (crítica social directa) e um activista que os nossos MC's deveriam conhecer melhor.

Azagaia: As Mentiras da Verdade

Azagaia: A Marcha

Thursday, February 9, 2012

My Playlist (8) Amandio Cabral

Ver info aqui.

Portfolio (7)

(07 Agosto 2010: elemento do grupo Circ Afri em acção no Programa de Verão promovido pela Direcção de Juventude/CMP na comunidade de São Tomé, Santiago)

Wednesday, February 8, 2012

Tuesday, February 7, 2012

My Playlist (4) Amp Fiddler

Ver actuação de Faith aqui e info sobre o cantor aqui.

Eli B: Falta de profissionalismo, descaso ou... burla, pura e simples?

(vencedor do concurso de rap "Verão na Praia - 2009" da TCV)
(post konvidadu)


Talvez pareça irónico para uns, inconveniente ou até mesmo insignificante para outros. Porém, para alguns olhares mais atentos, não deixaria de ser algo que merecesse uma atenção especial, porquanto crê-se preocupante o facto da nossa querida Televisão Nacional passar-se por “burlona”.

Quiçá como uma ténue lembrança, devido ao tempo decorrido, ainda se recorde do sucesso que fora o programa “Verão na Praia – 2009” da nossa televisão, e dos concursos ali realizados, de entre os quais o concurso de música Rap, com o suposto prémio da gravação de um videoclipe ao vencedor, totalmente suportado pela Televisão de Cabo Verde – TCV.

Os mais curiosos, ou simplesmente mais atentos podem se perguntar“Acompanhei o programa, mas não cheguei a ver o vídeo do artista vencedor. Porque será?”. A resposta seria tão simples como: “nunca chegou a ser realizado”.

Tal facto traria, entretanto, à tona outra pergunta: “Porquê?”. Porquê, volvido ano e tal, não se chegou a pagar o justo e merecido prémio à pessoa que maravilhou Cabo Verde com uma forma diferente de fazer Rap/Hip-hop, uma vez que, supostamente, isso não traria embaraço nenhum (nem mesmo despesas) a uma estação televisiva, dotada de meios materiais e humanos para tal?

Após esperar, com paciência de Job, por sensivelmente 411 dias e 6 horas (1 ano, 46 dias e 6 horas) a ver até onde iria a ridicularidade da nossa falta de profissionalismo, aturar pouco caso, desculpas esfarrapadas e inverdades, convinha tornar pública esta vergonha nacional.

As justificações podem ser várias. Desde o pré-conceito, afinal é apenas mais um “rapper”, deve ser um “thug”qualquer, por isso não há nada com que se preocupar; ou talvez, as inúmeras “mais uma chance” concedidas para se redimirem, tenham sido erradamente interpretadas como mendigagem, passando uma falsa imagem de fraqueza e incapacidade intelectual da pessoa em causa; ou simplesmente descaso e má vontade por parte da Televisão Nacional.

É, entretanto caricato, o facto de uma instituição que, devido ao nobre e supostamente sério trabalho, deveria ter um código de ética rigoroso que primasse pela verdade absoluta, falte publicamente com a verdade (sem falar das inverdades, directa e propositadamente passadas à pessoa em causa, vezes sem conta) e não cumpra as responsabilidades assumidas e, nada justifica tamanha falta de profissionalismo, nem isenta da culpa os profissionais em causa que, aqui, representam a instituição.

Tamanha baixeza reflecte a ignorância dos implicados e o explícito desprezo ao estilo (Rap), erradamente baseado em estigmas e rótulos, sem entretanto saber, que cada ser humano, independentemente da actividade desenvolvida ou da classe social, tem o seu respeito e a sua dignidade como direitos inalienáveis. Não obstante isso, a pessoa por detrás do “rapper” continua um desconhecido, podendo tanto ser o intelectualmente incapaz que mendigava um videoclipe (que era seu por direito), ou uma pessoa totalmente diferente, instruída e responsável, que simplesmente optou por ver até onde iria a mediocridade e a falta de profissionalismo de pessoas que se queriam sérios profissionais, acabando por descobrir que tal não tem limites, pois não se deve esperar que a sensatez venha de pessoas que não a reconhecem como valor.

Monday, February 6, 2012

Conceitos...

O Virgílio diz aqui e bem que o cabo-verdiano tem problemas com conceitos. Reparo que a nova mania de alguns, por uma questão de afirmação talvez, é de se auto-intitular intelectual... sei lá, do tipo gramsciano ou mais chique ainda o engagé de Sartre. Porquê: ter estudado fora e manter um espaço jornaleiro de diarreia escrita. Na terra de tolos qualquer tolo passa. Cada um com os seus conceitos e leituras. Expressões como prostituição intelectual, fascismo intelectual (sedimentada pela nova moda de concurso público reinventada pelos amarelos: o shortlist), imperialismo intelectual, intelectuais bling bling ou intelectual maionese são usuais neste espaço. São chapéus folclóricos que cobrem uma boa parte desses indivíduos. O que me tem preocupado nos últimos meses é o indiscriminado uso do título professor doutor. Meus caros, please... este é um título nobre e nenhum dos nossos doutores professores utiliza-lo-iam caso soubessem o seu significado. Mas pronto, isto sou eu a divagar...

Sunday, February 5, 2012

A ler: Suzano Costa


Uma análise política bem mais madura e clara do que a dos tais intelectuais orgânicos que confundem o conceito gramsciano com o engagé revivido por Sartre. A nossa tv estaria melhor servida com analistas especializados ao invés dos costumeiros generalistas... talvez a culpa seja do sistema.

(Imagem sacada no país maravilha de Zema's)

Saturday, February 4, 2012

Praia Kultural

Fico contente quando vejo a minha cidade tornar-se numa referência cultural nacional. Também não se podia esperar menos de uma cidade cada vez mais cosmopolita (apesar da sua tamanha desorganização). Ver um espaço como o antigo Cachito, actual Nice Burger, oferecer aos seus clientes a possibilidade de contemplarem quadros do artista Paulo Rosa enquanto solidificam o corpo, faz-me lembrar a baixa lisboeta e a nova moda (não tão nova assim) de utilizar espaços da noite e de convívio como museus e locais de iniciação artística. Aliás, na cidade capital, esta mania cultural, de se tirar o chapéu, começa com o I Gallery promovido pelo Abraão Vicente (não a parte de iniciação cultural) e espero que continue noutros espaços do tipo. Convém não esquecer do Centro Cultural Francês. E que tal, em vez de choramingar por trocados do Ministério da Cultura, se tome iniciativas culturais alternativas (como os gajos do Comité da Praia têm feito). Juntem-se e criem lá uma cooperativa cultural na cidade maltratada pela ELECTRA. Estiquem lá a vossa rede social e influenciem mais empresários da restauração a ter iniciativas dessas. E nem vou falar do Kriol Jazz Festival e afins...

(Na imagem: arte cidade digital ao entardecer de autor desconhecido)

Rabidandu a vida...

Ulisses ou não tem um cojones muito grande ou deixou-se ludibriar pelos meninos da oposição da CMP e do JPAI. Sintoma de estarmos quase nas vésperas das eleições... e lá teve de imitar o que Jacinto e Filú fizeram no passado. Falo das vendedeiras ambulantes nas ruas do Plateau... o regresso. Voltaram as senhoras. Cada dia há mais. Eu que o diga. Neves deveria mencionar isso amanhã quando falar às cabo-verdianas e aos cabo-verdianos. O problema é que se ele mencionar a coisa, terá de explicar o porquê do fenómeno. Desigualdade, pobreza e afins... não lhe convém. Bem que a CMP pode vir ao terreiro defender-se com as obras de reabilitação ou sei lá o quê da rua 5 de Julho, mas acho que não pega. O Centro Comercial Mercado da Praia a ser construído no Coco me parece não ser a melhor solução (pelo menos para elas). Mas o tal estudo (e o futuro) dirá...

Thursday, February 2, 2012