
Talvez pareça irónico para uns, inconveniente ou até mesmo insignificante para outros. Porém, para alguns olhares mais atentos, não deixaria de ser algo que merecesse uma atenção especial, porquanto crê-se preocupante o facto da nossa querida Televisão Nacional passar-se por “burlona”.
Quiçá como uma ténue lembrança, devido ao tempo decorrido, ainda se recorde do sucesso que fora o programa “Verão na Praia – 2009” da nossa televisão, e dos concursos ali realizados, de entre os quais o concurso de música Rap, com o suposto prémio da gravação de um videoclipe ao vencedor, totalmente suportado pela Televisão de Cabo Verde – TCV.
Os mais curiosos, ou simplesmente mais atentos podem se perguntar“Acompanhei o programa, mas não cheguei a ver o vídeo do artista vencedor. Porque será?”. A resposta seria tão simples como: “nunca chegou a ser realizado”.
Tal facto traria, entretanto, à tona outra pergunta: “Porquê?”. Porquê, volvido ano e tal, não se chegou a pagar o justo e merecido prémio à pessoa que maravilhou Cabo Verde com uma forma diferente de fazer Rap/Hip-hop, uma vez que, supostamente, isso não traria embaraço nenhum (nem mesmo despesas) a uma estação televisiva, dotada de meios materiais e humanos para tal?
Após esperar, com paciência de Job, por sensivelmente 411 dias e 6 horas (1 ano, 46 dias e 6 horas) a ver até onde iria a ridicularidade da nossa falta de profissionalismo, aturar pouco caso, desculpas esfarrapadas e inverdades, convinha tornar pública esta vergonha nacional.
As justificações podem ser várias. Desde o pré-conceito, afinal é apenas mais um “rapper”, deve ser um “thug”qualquer, por isso não há nada com que se preocupar; ou talvez, as inúmeras “mais uma chance” concedidas para se redimirem, tenham sido erradamente interpretadas como mendigagem, passando uma falsa imagem de fraqueza e incapacidade intelectual da pessoa em causa; ou simplesmente descaso e má vontade por parte da Televisão Nacional.
É, entretanto caricato, o facto de uma instituição que, devido ao nobre e supostamente sério trabalho, deveria ter um código de ética rigoroso que primasse pela verdade absoluta, falte publicamente com a verdade (sem falar das inverdades, directa e propositadamente passadas à pessoa em causa, vezes sem conta) e não cumpra as responsabilidades assumidas e, nada justifica tamanha falta de profissionalismo, nem isenta da culpa os profissionais em causa que, aqui, representam a instituição.
Tamanha baixeza reflecte a ignorância dos implicados e o explícito desprezo ao estilo (Rap), erradamente baseado em estigmas e rótulos, sem entretanto saber, que cada ser humano, independentemente da actividade desenvolvida ou da classe social, tem o seu respeito e a sua dignidade como direitos inalienáveis. Não obstante isso, a pessoa por detrás do “rapper” continua um desconhecido, podendo tanto ser o intelectualmente incapaz que mendigava um videoclipe (que era seu por direito), ou uma pessoa totalmente diferente, instruída e responsável, que simplesmente optou por ver até onde iria a mediocridade e a falta de profissionalismo de pessoas que se queriam sérios profissionais, acabando por descobrir que tal não tem limites, pois não se deve esperar que a sensatez venha de pessoas que não a reconhecem como valor.
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